ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Há olhares que não apenas veem, mas sentem e traduzem o mundo em

pura emoção pictórica. Regina Picoli, artista de Martinópolis com uma

trajetória iluminada pela maestria no realismo e hiper-realismo, pertence a

essa estirpe de criadores para quem a tela é um portal para a essência das

coisas.

Nesta edição especial da ArtNow Report dedicada à França, Regina nos

brinda com uma interpretação singular da Torre Eiffel, um diálogo entre a

precisão de seu pincel e o pulsar de um ícone que, para ela, representa a

"realização de um sonho imensurável." Sua jornada com a arte, iniciada na

infância sob a influência do barroco sacro e consolidada com rigor

acadêmico e aprendizado com grandes mestres, a preparou para este

encontro com a "Dama de Ferro". "Ao avistá-la," confessa Regina, "sente-se

uma mistura de admiração e inspiração. Sua estrutura imponente e

elegante simboliza inovação, cultura e a eterna busca pela beleza."

Retratar um monumento tão universalmente celebrado é, nas palavras da

artista, "embarcar em uma jornada artística repleta de desafios e

motivações," buscando sempre "uma perspectiva única" para "capturar

também a emoção que ela evoca." Seu olhar, treinado para encontrar o

extraordinário no cotidiano, debruçou-se sobre a grandiosidade parisiense

com a mesma atenção às minúcias, escolhendo o entardecer para que a

Torre revelasse "toda sua exuberância" através dos "padrões das ferragens, o

jogo de luz e as nuances de cor."

A conexão de Regina com Paris é também tecida por memórias e

admiração, vendo na Torre um "marco na história da engenharia" cuja

persistência e originalidade "ressoa profundamente com minha alma de

artista."

Em sua tela, a técnica realista de Regina Picoli se deleita e, ao mesmo

tempo, é desafiada pela "união de ferro entrelaçada" da Torre. O fascínio

reside em "capturar a precisão desses elementos metálicos," enquanto o

desafio se encontra em traduzir a luz do entardecer, com seus "tons

dourados, laranjas e acobreados," e as sombras dramáticas, cruciais para

"trazer realismo e vitalidade à obra." Para equilibrar complexidade e

elegância, Regina focalizou detalhes expressivos e a harmonia dos padrões

geométricos,

por

vezes

"suavemente

esboçadas

e

desfocadas."

Enriquecendo sua composição, a presença da Ponte Alexandre III, com seu

estilo Beaux-Arts, adicionando uma camada de requinte e história.