Há olhares que não apenas veem, mas sentem e traduzem o mundo em
pura emoção pictórica. Regina Picoli, artista de Martinópolis com uma
trajetória iluminada pela maestria no realismo e hiper-realismo, pertence a
essa estirpe de criadores para quem a tela é um portal para a essência das
coisas.
Nesta edição especial da ArtNow Report dedicada à França, Regina nos
brinda com uma interpretação singular da Torre Eiffel, um diálogo entre a
precisão de seu pincel e o pulsar de um ícone que, para ela, representa a
"realização de um sonho imensurável." Sua jornada com a arte, iniciada na
infância sob a influência do barroco sacro e consolidada com rigor
acadêmico e aprendizado com grandes mestres, a preparou para este
encontro com a "Dama de Ferro". "Ao avistá-la," confessa Regina, "sente-se
uma mistura de admiração e inspiração. Sua estrutura imponente e
elegante simboliza inovação, cultura e a eterna busca pela beleza."
Retratar um monumento tão universalmente celebrado é, nas palavras da
artista, "embarcar em uma jornada artística repleta de desafios e
motivações," buscando sempre "uma perspectiva única" para "capturar
também a emoção que ela evoca." Seu olhar, treinado para encontrar o
extraordinário no cotidiano, debruçou-se sobre a grandiosidade parisiense
com a mesma atenção às minúcias, escolhendo o entardecer para que a
Torre revelasse "toda sua exuberância" através dos "padrões das ferragens, o
jogo de luz e as nuances de cor."
A conexão de Regina com Paris é também tecida por memórias e
admiração, vendo na Torre um "marco na história da engenharia" cuja
persistência e originalidade "ressoa profundamente com minha alma de
artista."
Em sua tela, a técnica realista de Regina Picoli se deleita e, ao mesmo
tempo, é desafiada pela "união de ferro entrelaçada" da Torre. O fascínio
reside em "capturar a precisão desses elementos metálicos," enquanto o
desafio se encontra em traduzir a luz do entardecer, com seus "tons
dourados, laranjas e acobreados," e as sombras dramáticas, cruciais para
"trazer realismo e vitalidade à obra." Para equilibrar complexidade e
elegância, Regina focalizou detalhes expressivos e a harmonia dos padrões
geométricos,
por
vezes
"suavemente
esboçadas
e
desfocadas."
Enriquecendo sua composição, a presença da Ponte Alexandre III, com seu
estilo Beaux-Arts, adicionando uma camada de requinte e história.