ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Em suas mãos, a Flor-de-lis, emblema histórico da realeza e da identidade

francesa, despoja-se de sua rigidez heráldica para ganhar novas texturas e

uma sensibilidade contemporânea. Érica a aborda em duas obras distintas:

uma com a "delicadeza das flores dos jardins de Paris", empregando um

vermelho mais intenso, e outra onde a flor em tom lilás dialoga com a "rigidez

da torre", como vemos em sua obra intitulada "Autorretrato com Flor de Lis

Roxa". Essa Flor de Lis lilás é, para ela, a forma floral que a Torre Eiffel

assumiria, um contraste delicado com a monumentalidade de ferro.

O Lírio Branco, símbolo de pureza e elegância atemporal, floresce em suas

composições com uma luz que parece emanar de dentro. Érica buscou

transmitir "a delicadeza dessas lindas flores e a força que simboliza o

coração", pintando inclusive "um coração brotando lírios brancos", uma

imagem poderosa que une fragilidade e vitalidade.

E as Lavandas... Ah, as Lavandas! Em suas obras, quase podemos sentir o

perfume que embalsama os campos da Provence, o roxo intenso que se estende

sob o sol do Mediterrâneo. Para Érica, essa flor não é apenas cor ou perfume,

mas um convite ao "descanso e à reflexão, cheiro de inspiração". A lavanda

"sempre me remete a descanso, aqueles momentos de parar para recarregar as

energias". É uma das fragrâncias que mais gosta e uma das cores que considera

mais sofisticadas, capturando a alma da Provence e sua forte ligação com a

França. Ao imaginar o perfume do Sena ao entardecer, ela vislumbra a rosa

vermelha, o jasmim, ou a flor de laranjeira, esta última evocando a memória de

L'Orangerie e as vastas Ninféias de Monet.

A atmosfera parisiense, com seus jardins floridos, a Torre Eiffel iluminada à noite,

museus incríveis e rica história, foi uma fonte inesgotável de inspiração. Como

ela descreve, "Paris respira e inspira arte", oferecendo um fascinante "contraste

entre a delicadeza das flores e árvores espalhadas, com a presença marcante e

forte dos monumentos históricos". Érica vê a arte como uma força capaz de

inspirar e agregar valor para além da mera decoração, e encontra na França um

terreno fértil para essa visão. Suas flores não buscam apenas adornar, mas

conectar, convidar à contemplação da natureza e, por extensão, à introspecção

sobre nossa própria essência.