Em suas mãos, a Flor-de-lis, emblema histórico da realeza e da identidade
francesa, despoja-se de sua rigidez heráldica para ganhar novas texturas e
uma sensibilidade contemporânea. Érica a aborda em duas obras distintas:
uma com a "delicadeza das flores dos jardins de Paris", empregando um
vermelho mais intenso, e outra onde a flor em tom lilás dialoga com a "rigidez
da torre", como vemos em sua obra intitulada "Autorretrato com Flor de Lis
Roxa". Essa Flor de Lis lilás é, para ela, a forma floral que a Torre Eiffel
assumiria, um contraste delicado com a monumentalidade de ferro.
O Lírio Branco, símbolo de pureza e elegância atemporal, floresce em suas
composições com uma luz que parece emanar de dentro. Érica buscou
transmitir "a delicadeza dessas lindas flores e a força que simboliza o
coração", pintando inclusive "um coração brotando lírios brancos", uma
imagem poderosa que une fragilidade e vitalidade.
E as Lavandas... Ah, as Lavandas! Em suas obras, quase podemos sentir o
perfume que embalsama os campos da Provence, o roxo intenso que se estende
sob o sol do Mediterrâneo. Para Érica, essa flor não é apenas cor ou perfume,
mas um convite ao "descanso e à reflexão, cheiro de inspiração". A lavanda
"sempre me remete a descanso, aqueles momentos de parar para recarregar as
energias". É uma das fragrâncias que mais gosta e uma das cores que considera
mais sofisticadas, capturando a alma da Provence e sua forte ligação com a
França. Ao imaginar o perfume do Sena ao entardecer, ela vislumbra a rosa
vermelha, o jasmim, ou a flor de laranjeira, esta última evocando a memória de
L'Orangerie e as vastas Ninféias de Monet.
A atmosfera parisiense, com seus jardins floridos, a Torre Eiffel iluminada à noite,
museus incríveis e rica história, foi uma fonte inesgotável de inspiração. Como
ela descreve, "Paris respira e inspira arte", oferecendo um fascinante "contraste
entre a delicadeza das flores e árvores espalhadas, com a presença marcante e
forte dos monumentos históricos". Érica vê a arte como uma força capaz de
inspirar e agregar valor para além da mera decoração, e encontra na França um
terreno fértil para essa visão. Suas flores não buscam apenas adornar, mas
conectar, convidar à contemplação da natureza e, por extensão, à introspecção
sobre nossa própria essência.