ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Há flores que nascem do solo. E há flores que nascem da alma.

As de Érica Nogueira brotam de um território onde a delicadeza é potência e

cada pétala carrega um universo de sentidos. Desde seu retorno ao cenário

artístico em 2021, a artista tem cultivado uma linguagem que não apenas

representa flores — mas as transcende como símbolo de vida, transformação e

contemplação interior. Nesta edição especial dedicada à França, Érica nos

convida a percorrer seus jardins poéticos com obras inéditas que reinterpretam

a Flor-de-lis, o Lírio Branco e as Lavandas, estabelecendo um delicado diálogo

entre sua alma brasileira e a herança sensível da flora francesa.

Érica acredita profundamente que a arte tem o poder de conectar culturas, e as

flores, em particular, possuem essa magia universal que "conecta muito as

pessoas". Ela observa que não é à toa que mestres como Monet e Van Gogh

continuam a inspirar tantos, pois "as flores inspiram e trazem leveza!". Em sua

busca por essa conexão, Érica encontra uma ressonância profunda no estilo

artístico francês, declarando que "Sem dúvida o movimento impressionista,

especialmente Claude Monet", a inspira. Ela admira como o Impressionismo

"rompeu com a arte clássica francesa e trouxe temas como cor, luz, sombra,

tempo, matéria para o protagonismo", transformando "o ordinário em

extraordinário". Essa filosofia de encontrar o extraordinário no simples ressoa

diretamente com sua própria intenção: "levar as pessoas a pararem e

contemplarem o simples e o belo", na esperança de que seu trabalho

"transforme a maneira como as pessoas olham para a natureza".

A técnica de Érica Nogueira é uma harmoniosa fusão entre a fluidez etérea da

aquarela e a precisão incisiva das canetas. Enquanto a aquarela captura a

alma efêmera da flor com sua transparência, as canetas ancoram a visão,

delineando detalhes íntimos. Essa nova fase floral europeia, focada na

"delicadeza, cor e inspiração" que Paris oferece, contrasta com a "resiliência,

persistência, superação" que ela associava às flores do deserto, mostrando a

versatilidade e a evolução de sua linguagem.