PEDRO PRANDINI - PORTFOLIO - Português

Portfólio

“ Não há nada obrigatório na arte, porque a

arte é livre.”

Wassily Kandinsky

Líquido,

denso,

imprevisível.

É

nesse

território

de

instabilidade e descoberta que Pedro Prandini constrói sua

linguagem.

Mais do que um pintor, ele é um intérprete das forças que

movem a matéria. Sua técnica é o ponto de encontro entre

o gesto e a gravidade, entre a intenção e o acaso.

A tinta não é apenas aplicada — ela acontece. Escorre, se

mistura, respira.

Cada obra nasce como um ecossistema autônomo, onde

cor, densidade e tempo se equilibram em uma harmonia

sensorial.

O espectador não contempla apenas uma imagem: adentra

um campo de energia, uma geografia emocional que

reflete a essência do próprio ato de existir.

O Artista

Na arte de Pedro Prandini, o gesto não dita: ele se sintoniza. A tinta é

agente e pensamento, corpo e respiração. O artista não impõe forma —

cria as condições para que ela emerja. Essa entrega é o centro de sua

poética: a transformação do imprevisível em linguagem e do acaso em

coautoria.

Formado sob a pedagogia Waldorf, Pedro cresceu entre texturas e

experimentações. A lã do tricô, a resistência da madeira e a fluidez da

aquarela despertaram sua curiosidade tátil e a consciência do material

como parceiro criativo. Essa vivência precoce se tornaria a base de sua

abstração madura: uma arte que não busca dominar a matéria, mas

dialogar com ela.

Entre 2010 e 2020, dedicou-se à pintura em tecidos, desenvolvendo uma

compreensão profunda da cor e de seu comportamento. Mais tarde, sua

pesquisa se expandiu para o uso de resinas e materiais reciclados,

revelando o potencial estético do que é instável e transformável. Hoje,

seu trabalho se afirma como uma investigação contínua sobre o

movimento, a densidade e a vibração da tinta — uma arte que acontece

no limite entre o controle e o mistério.

UM GESTO DE RENDIÇÃO

Na criação de Pedro Prandini, o gesto é um ato de entrega. A tinta surge,

pulsa e se revela com autonomia — como se obedecesse a leis próprias,

anteriores ao toque humano. Nesse instante de rendição, o artista se

torna mediador: um condutor atento das forças que dão forma ao

invisível.

Cada gota contém o peso do acaso e a leveza do tempo. A gravidade

participa como coautora; o ar, o calor e o movimento interferem com

sutileza. O que se materializa sobre a tela é um registro de encontro

entre forças visíveis e invisíveis. É a matéria em estado de pensamento

— uma pintura que respira, cresce e se transforma.

C r e a t e y o u r

p r o f e s s i o n a l

p o r t f o l i o

C a d a o b r a é u m

a c o n t e c i m e n t o . N a d a s e

r e p e t e . A t é c n i c a , p o r s u a

n a t u r e z a , r e c u s a a

r e p e t i ç ã o — p o r q u e o t e m p o

n u n c a é o m e s m o , a

d e n s i d a d e m u d a , o g e s t o s e

a l t e r a . H á a l g o d e e f ê m e r o e

e t e r n o n e s s e p r o c e s s o : a

l e m b r a n ç a d e q u e t o d a

f o r m a n a s c e d o m o v i m e n t o ,

e t o d o m o v i m e n t o ,

i n e v i t a v e l m e n t e , s e

t r a n s f o r m a .

@ r e a l l y g r e a t s i t e

O derramamento, em sua essência, é uma filosofia da

criação. Para Pedro Prandini, derramar é permitir que

a tinta fale — que o material revele seu próprio curso.

Cada obra nasce do diálogo entre a intenção do

artista e a espontaneidade da matéria. A tinta reage,

o tempo interfere, e o resultado é sempre único: o

instante em que a cor encontra sua própria forma.

Essa

técnica,

de

natureza

física

e

sensorial,

transcende o gesto pictórico. É uma coreografia de

densidades, onde a gravidade desenha, o líquido

decide, e o artista observa. As superfícies resultantes

são vivas — texturas que emergem, bolhas que

respiram, camadas que se fundem e se dissolvem.

Nada se repete, porque o tempo nunca é o mesmo. E

é nessa imprevisibilidade que reside a beleza: no

equilíbrio entre domínio e liberdade.

A história da arte é um rio que flui entre

experimentações e reinvenções. A técnica

do derramamento, embora consolidada no

século XX, tem raízes muito anteriores —

desde antigas práticas de marmorização e

pintura fluida. Mas foi com artistas como

David Alfaro Siqueiros, Jackson Pollock e

Helen Frankenthaler que o derramamento

se tornou linguagem autônoma, símbolo de

um gesto radical de liberdade.

A Líquida História da Arte do Derramamento

Siqueiros, nos anos 1930 e 40, explorou o que

chamava de pintura acidental, derramando

tintas industriais para criar texturas inéditas.

Pollock

levou

a

experiência

ao

extremo,

transformando o chão em seu ateliê e o

movimento do corpo em ferramenta criadora —

uma performance em que a tinta se tornava

ação. Frankenthaler, por sua vez, suavizou o

gesto, permitindo que a cor fosse absorvida

pela tela, dissolvendo os limites entre fundo e

figura. Pedro Prandini herda essa linhagem e a

reinventa. Sua obra amplia o derramamento ao

incorporar

novos

materiais

resinas,

pigmentos, reciclados — e ao explorar a

dimensão sensorial do tempo, do som e da

gravidade.

Ele

domina

o

“controle

do

incontrolável”: ajusta viscosidade, inclinação e

temperatura, mas nunca aprisiona o fluxo. Em

suas mãos, o derramamento se torna metáfora

da própria vida — o instante em que o

imprevisto se transforma em harmonia.

01.

02.

A verdadeira explosão do

derramamento, tornando-o

sinônimo de um gesto pictórico

radical, veio com o

Expressionismo Abstrato

americano, especificamente

com Jackson Pollock (1912-1956).

Conhecido como "Jack the

Dripper" (Jack o Gotejador),

Pollock levou a técnica a um

nível sem precedentes a partir

do final dos anos 40.

ELE ESPALHAVA TELAS ENORMES NO CHÃO

ELE ESPALHAVA TELAS ENORMES NO CHÃO

E,

COM

LATAS

DE

TINTA,

BASTÕES

E,

COM

LATAS

DE

TINTA,

BASTÕES

GOTEJADORES, DERRAMAVA, RESPINGAVA

GOTEJADORES, DERRAMAVA, RESPINGAVA

E

GOTEJAVA

TINTA

EM

UM

MOVIMENTO

E

GOTEJAVA

TINTA

EM

UM

MOVIMENTO

COREOGRAFADO E QUASE RITUALÍSTICO.

COREOGRAFADO E QUASE RITUALÍSTICO.

SUA

ABORDAGEM,

CHAMADA

DE

DRIP

SUA

ABORDAGEM,

CHAMADA

DE

DRIP

PAINTING, ELIMINOU O PINCEL TRADICIONAL

PAINTING, ELIMINOU O PINCEL TRADICIONAL

E A DISTINÇÃO ENTRE DESENHO E COR,

E A DISTINÇÃO ENTRE DESENHO E COR,

CRIANDO COMPOSIÇÕES DINÂMICAS ONDE

CRIANDO COMPOSIÇÕES DINÂMICAS ONDE

A ENERGIA DO ARTISTA E A FÍSICA DA TINTA

A ENERGIA DO ARTISTA E A FÍSICA DA TINTA

SE FUNDIAM EM INTRINCADAS REDES DE

SE FUNDIAM EM INTRINCADAS REDES DE

LINHAS E MASSAS.

LINHAS E MASSAS.

POLLOCK

TRANSFORMOU

O

PLANO

POLLOCK

TRANSFORMOU

O

PLANO

HORIZONTAL DO CHÃO EM SEU CAVALETE,

HORIZONTAL DO CHÃO EM SEU CAVALETE,

O QUE PERMITIA UMA INTERAÇÃO FÍSICA E

O QUE PERMITIA UMA INTERAÇÃO FÍSICA E

GESTUAL

COMPLETA

COM

A

OBRA,

GESTUAL

COMPLETA

COM

A

OBRA,

CONVIDANDO O ESPECTADOR A UMA NOVA

CONVIDANDO O ESPECTADOR A UMA NOVA

PERCEPÇÃO DO ESPAÇO E DO PROCESSO

PERCEPÇÃO DO ESPAÇO E DO PROCESSO

CRIATIVO.

CRIATIVO.

ELE ESPALHAVA TELAS ENORMES NO CHÃO

E,

COM

LATAS

DE

TINTA,

BASTÕES

GOTEJADORES, DERRAMAVA, RESPINGAVA

E

GOTEJAVA

TINTA

EM

UM

MOVIMENTO

COREOGRAFADO E QUASE RITUALÍSTICO.

SUA

ABORDAGEM,

CHAMADA

DE

DRIP

PAINTING, ELIMINOU O PINCEL TRADICIONAL

E A DISTINÇÃO ENTRE DESENHO E COR,

CRIANDO COMPOSIÇÕES DINÂMICAS ONDE

A ENERGIA DO ARTISTA E A FÍSICA DA TINTA

SE FUNDIAM EM INTRINCADAS REDES DE

LINHAS E MASSAS.

POLLOCK

TRANSFORMOU

O

PLANO

HORIZONTAL DO CHÃO EM SEU CAVALETE,

O QUE PERMITIA UMA INTERAÇÃO FÍSICA E

GESTUAL

COMPLETA

COM

A

OBRA,

CONVIDANDO O ESPECTADOR A UMA NOVA

PERCEPÇÃO DO ESPAÇO E DO PROCESSO

CRIATIVO.

" Eu sou o condutor, mas a

tinta tem sua própria vontade,

suas próprias leis. "

Pedro Prandini

Outros artistas do período também experimentaram com o

derramamento e técnicas líquidas. Helen Frankenthaler (1928-

2011), por exemplo, desenvolveu sua famosa técnica de soak

stain (mancha absorvente) nos anos 50. Ela diluía tintas a óleo

de

forma

que

parecessem

aquarelas

e

as

derramava

diretamente sobre telas de lona crua e não imprimada. A tinta

era absorvida pelas fibras do tecido, tornando a cor parte

integrante da própria tela, e não apenas uma camada sobre ela.

Isso criou campos de cor luminosos e etéreos, influenciando toda

uma geração de pintores do Color Field.

A beleza que me interessa não é a

planejada, mas a que surge, a que se

revela.

Pedro Prandini

“ É u m d i á l o g o c o n s t a n t e : e n t r e o q u e e u

i n t u o e o q u e a t i n t a d e c i d e . ”

Pedro Prandini

E m b o r a o

E m b o r a o

d e r r a m a m e n t o p a r e ç a

d e r r a m a m e n t o p a r e ç a

p u r o a c a s o , o s a r t i s t a s

p u r o a c a s o , o s a r t i s t a s

q u e o u t i l i z a m

q u e o u t i l i z a m

d o m i n a m a " a r t e d o

d o m i n a m a " a r t e d o

c o n t r o l e d o

c o n t r o l e d o

i n c o n t r o l á v e l " . E l e s

i n c o n t r o l á v e l " . E l e s

m a n i p u l a m a

m a n i p u l a m a

v i s c o s i d a d e d a t i n t a , a

v i s c o s i d a d e d a t i n t a , a

i n c l i n a ç ã o d a

i n c l i n a ç ã o d a

s u p e r f í c i e , a d i s t â n c i a

s u p e r f í c i e , a d i s t â n c i a

d o g o t e j a m e n t o e a t é a

d o g o t e j a m e n t o e a t é a

t e m p e r a t u r a e

t e m p e r a t u r a e

u m i d a d e d o a m b i e n t e

u m i d a d e d o a m b i e n t e

p a r a i n f l u e n c i a r o

p a r a i n f l u e n c i a r o

r e s u l t a d o .

r e s u l t a d o .

E m b o r a o

d e r r a m a m e n t o p a r e ç a

p u r o a c a s o , o s a r t i s t a s

q u e o u t i l i z a m

d o m i n a m a " a r t e d o

c o n t r o l e d o

i n c o n t r o l á v e l " . E l e s

m a n i p u l a m a

v i s c o s i d a d e d a t i n t a , a

i n c l i n a ç ã o d a

s u p e r f í c i e , a d i s t â n c i a

d o g o t e j a m e n t o e a t é a

t e m p e r a t u r a e

u m i d a d e d o a m b i e n t e

p a r a i n f l u e n c i a r o

r e s u l t a d o .

A

principal

beleza

do

derramamento

reside na sua capacidade de libertar a cor

de suas amarras tradicionais. O pincel,

com sua precisão e controle, cede lugar à

gravidade

e

à

viscosidade

da

tinta,

permitindo que as cores se misturem, se

separem e se sobreponham de maneiras

orgânicas

e

inimitáveis.

Cada

escorrimento, cada poça, cada respingo é

um registro autêntico de um instante,

onde

o

movimento

se

fossiliza

em

pigmento, criando texturas e veios que

remetem

tanto

à

geologia

quanto

à

microvida.

Para o artista que domina essa

técnica, como Pedro Prandini, o

processo

é

um

ato

de

colaboração e descoberta. Não se

trata de uma imposição total da

vontade

criativa,

mas

de

um

diálogo contínuo. O artista prepara

o cenário, escolhe as cores, decide

as inclinações e concentrações,

mas a tinta, uma vez liberada,

assume seu papel de coautora. O

resultado são composições que

exalam uma energia visceral, uma

sensação de que a obra está em

constante transformação, mesmo

depois de seca. A beleza aqui é a

beleza do acaso controlado, onde

a expertise do artista reside em

harmonizar o imprevisível, guiando o

caos aparente rumo a uma ordem

estética surpreendente.