PORTFOLIO
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“Quando moldo o vidro, é a natureza
“Quando moldo o vidro, é a natureza
que me guia: suas curvas, suas
que me guia: suas curvas, suas
memórias, seus gritos abafados pela
memórias, seus gritos abafados pela
pressa do mundo.”
pressa do mundo.”
Ju Chaves
Ju Chaves
“Quando moldo o vidro, é a natureza
que me guia: suas curvas, suas
memórias, seus gritos abafados pela
pressa do mundo.”
Ju Chaves
Num fluxo constante de imagens efêmeras, a obra de
Ju Chaves finca raízes na permanência luminosa do
vidro e na paciência construtiva do mosaico. Esta não
é mera escolha estética, mas a forja de uma
linguagem singularíssima: um vocabulário translúcido
capaz de articular o que muitas vezes escapa às
palavras – a simbiose entre força e vulnerabilidade, a
intrincada teia que liga o feminino ancestral à
urgência ecológica contemporânea.
Aqui reside sua excelência, nutrida tanto por essa
profundidade semântica quanto pela maestria técnica
– habilidade ímpar de manipular um material que, por
natureza, evoca a dualidade da luz e da sombra, da
fragilidade e da resistência. Sua trajetória, que transita
da precisão da computação gráfica para a entrega
tátil do fazer artesanal, confere-lhe uma perspectiva
única, onde estrutura e emoção se entrelaçam,
provando que a arte mais potente é aquela que nos
ensina a ver – e a sentir – o mundo de novo.
A Artista
Existem múltiplos caminhos na arte: alguns buscam a
representação, outros a abstração. E há os que se dedicam a
desafiar os limites da matéria, transformando o mundo visível
em algo sublime. Ju Chaves é uma dessas criadoras, que unem
técnica e sensibilidade para dar vida ao vidro, ao mosaico e à
arte digital de forma singular. Sua trajetória, marcada por
descobertas e reinvenções, é um reflexo de sua paixão pelo
fazer artístico e pela incansável busca por expressão.
Desde a infância, a arte esteve presente em sua vida, ainda que
de maneira difusa. Música, dança e teatro moldaram seu olhar
para o movimento e a composição, enquanto o fascínio pelas
cores e formas a aproximava das artes visuais. No entanto, seu
caminho inicialmente a levou para a computação gráfica – um
universo onde técnica e criatividade se entrelaçam. Mestre pela
PUC-Rio, Ju encontrou no design digital uma forma de dar
estrutura ao seu olhar artístico, desenvolvendo habilidades que
mais tarde seriam fundamentais para sua linguagem visual.
A grande virada veio quando se deparou com os mosaicos e
vitrais. O desejo de criar com as próprias mãos, de construir
imagens tangíveis, levou-a a explorar esse universo: a fusão
entre a pintura em vidro e a composição do mosaico. O
processo, meticuloso e fascinante, envolve o corte preciso do
vidro, a pintura manual de cada peça, a queima para fixação
da cor, a colagem e, finalmente, o rejunte – um ritual de
paciência e entrega que dá origem a obras cheias de
significado.
Em suas criações, o feminino surge como um universo
simbólico, onde pensamentos e emoções se entrelaçam em
formas orgânicas e geométricas. Cada peça é uma narrativa
visual, um convite à contemplação. A harmonia das cores e a
fluidez das composições criam uma atmosfera quase onírica,
na qual a artista transita entre questionamentos existenciais e
uma reverência à natureza – tema que permeia sua vida e obra
com força poética.
A H A R M O N I A D A S C O R E S E A
F L U I D E Z D A S C O M P O S I Ç Õ E S
C R I A M U M A A T M O S F E R A Q U A S E
O N Í R I C A . .
O CONTATO COM A
NATUREZA SEMPRE
FOI FUNDAMENTAL
PARA JU CHAVES.
NASCIDA NO DIA
MUNDIAL DO MEIO
AMBIENTE,
a artista tem uma profunda conexão com o planeta, com o mar, com o
sol, com a lua e com as flores. Essa paixão se manifesta em suas obras,
que frequentemente retratam a fauna e a flora brasileira, especialmente
na série "Biomas do Brasil", onde Ju expressa sua preocupação com a
preservação ambiental.
A jornada de Ju Chaves no circuito artístico começou nos coletivos de
artistas e exposições coletivas. Em meio a conversas, descobertas e
trocas criativas, ela se consolidou como artista, ampliando sua presença
em galerias e eventos de arte. Participou de mostras no Brasil e no
exterior, incluindo Lisboa, Londres, Paris, Nova York, Miami e Bruxelas, além
de integrar publicações e leilões de arte. Suas obras encontraram espaço
em renomadas galerias.
C r e a t e y o u r
p r o f e s s i o n a l
p o r t f o l i o
@ r e a l l y g r e a t s i t e
P a r a J u , a r t e e v i d a s e
e n t r e l a ç a m e m u m f l u x o c o n t í n u o
d e s e n s a ç õ e s e d e s c o b e r t a s ,
o n d e c a d a n o v a o b r a é u m
c a p í t u l o d e s u a j o r n a d a .
Transparente,
mas nunca invisível
Imagine transformar a mais humilde das matérias – a areia
comum sob nossos pés – em uma substância que captura a luz,
desafia a gravidade e reconfigura nossa percepção do mundo.
Essa é a magia intrínseca do vidro, um material nascido do fogo
e da intuição humana, cuja jornada se confunde com a própria
história da civilização, da arte e da inovação. Sua natureza
paradoxal, equilibrando-se na fronteira entre o sólido e o líquido
ancestral, o frágil e o surpreendentemente durável, fascina a
humanidade há milênios.
As origens do vidro se perdem nas brumas do tempo, com
evidências apontando para a Mesopotâmia e o Egito Antigo,
por volta de 3500 a.C. Inicialmente, era um luxo raro, resultado
talvez de acasos felizes em fornos de cerâmica ou fogueiras
na areia rica em sílica. Pequenos objetos, contas coloridas e
amuletos eram laboriosamente moldados, imitando pedras
preciosas. Mas foram os romanos, com seu pragmatismo e
genialidade técnica, que impulsionaram a primeira grande
revolução vítrea.
Por volta do século I a.C., a invenção (ou aperfeiçoamento) da
técnica do sopro de vidro foi um divisor de águas. De repente,
o vidro pôde assumir formas mais complexas, tornar-se mais
fino, mais transparente e ser produzido em maior escala.
Vasos, taças, jarras e as primeiras rudimentares vidraças
começaram a fazer parte do cotidiano romano, espalhando-
se pelas vastas fronteiras do Império.
Com a queda de Roma, muitos segredos da fabricação se perderam no Ocidente,
mas a chama foi mantida viva no Oriente Médio e Bizâncio, onde a tradição do
mosaico também incorporava o brilho das tesselas vítreas. A Idade Média europeia,
contudo, reservaria ao vidro um papel transcendente. Nas imponentes catedrais
góticas, a técnica do vitral atingiu seu apogeu. O vidro deixou de ser apenas um
material utilitário para se tornar uma linguagem pictórica e espiritual. Imensas
"paredes de luz" narravam histórias bíblicas em cores vibrantes, filtrando a luz solar e
criando atmosferas de profundo recolhimento e esplendor divino. O vidro era, ali, a
própria manifestação do intangível, um véu colorido entre o terreno e o sagrado.
Paralelamente, a partir do final da Idade Média, Veneza, especialmente na ilha de
Murano, tornou-se o epicentro mundial da produção de vidro de alta qualidade. Seus
mestres vidreiros guardavam a sete chaves os segredos de suas fórmulas e técnicas,
alcançando um virtuosismo incomparável na criação de peças delicadas, espelhos
cristalinos e objetos de luxo cobiçados por toda a Europa. O vidro consolidava-se
como símbolo de status e refinamento.
A Renascença e a Revolução Científica trouxeram novas perspectivas. As lentes de
vidro, cuidadosamente polidas, abriram janelas para o microcosmo e o macrocosmo.
Telescópios revelaram os segredos dos céus, enquanto microscópios desvendaram
mundos invisíveis a olho nu. O vidro tornou-se um instrumento fundamental para a
expansão do conhecimento humano, alterando para sempre nossa compreensão do
universo e de nós mesmos.
A Revolução Industrial, a partir do século XVIII, democratizou o vidro. Novas técnicas
de produção em massa, como o desenvolvimento do vidro plano (inicialmente
cilindrado, depois culminando no processo float no século XX), permitiram a
fabricação de grandes painéis transparentes a custos mais baixos. A arquitetura foi
profundamente impactada: edifícios como o Palácio de Cristal de Londres (1851)
celebraram a leveza e a transparência, antecipando as fachadas envidraçadas que
dominariam a paisagem urbana moderna. Garrafas, frascos, lâmpadas e inúmeros
objetos do dia a dia passaram a incorporar o vidro de forma onipresente.
Nas catedrais da Europa, os vitrais surgiram como janelas para
o divino, narrando histórias bíblicas por meio da luz colorida
que atravessava as figuras de santos, anjos e mártires.
O século XX e o início do XXI viram o vidro
explodir em possibilidades. Na arquitetura,
tornou-se pele e estrutura, definindo arranha-
céus e residências com suas "cortinas de
vidro". No design, moldou-se em mobiliário,
luminárias e objetos que unem funcionalidade
e beleza escultórica. Na ciência e tecnologia,
fibras ópticas revolucionaram as
comunicações, telas sensíveis ao toque
transformaram nossa interação com o digital e
vidros especiais encontraram aplicações na
medicina, energia solar e exploração espacial.
O século XX foi crucial com o movimento "Studio Glass", que finalmente
consagrou o vidro como meio primário de expressão artística, explorando a
fundo suas qualidades plásticas e conceituais. Técnicas revisitadas e novas
abordagens, como a fusão (fusing), concederam aos criadores uma
liberdade sem precedentes para esculpir, pintar e construir narrativas com a
luz e a própria matéria vítrea.
Portanto, das contas ancestrais às instalações contemporâneas, a trajetória
do vidro é uma fascinante narrativa de engenhosidade, beleza e
metamorfose. Ela espelha a incessante busca humana por luz, clareza e
expressão, numa odisseia translúcida que continua a se desdobrar,
revelando a cada passo as infinitas potencialidades contidas neste material
extraordinário.
NO TOQUE CURIOSO DA MÃO
NO TOQUE CURIOSO DA MÃO
SOBRE A TRANSPARÊNCIA FRIA,
SOBRE A TRANSPARÊNCIA FRIA,
NO OLHAR INFANTIL QUE BUSCA
NO OLHAR INFANTIL QUE BUSCA
O MUNDO ATRAVÉS DA JANELA, JÁ
O MUNDO ATRAVÉS DA JANELA, JÁ
SE REVELA A MAGIA ANCESTRAL
SE REVELA A MAGIA ANCESTRAL
DO VIDRO COMO INTERFACE E
DO VIDRO COMO INTERFACE E
PORTAL. DE ORNAMENTO ANTIGO
PORTAL. DE ORNAMENTO ANTIGO
A PROTAGONISTA DA ARTE
A PROTAGONISTA DA ARTE
CONTEMPORÂNEA, O VIDRO
CONTEMPORÂNEA, O VIDRO
PERSISTE COMO MATÉRIA DE
PERSISTE COMO MATÉRIA DE
CRIAÇÃO E CONTEMPLAÇÃO. EM
CRIAÇÃO E CONTEMPLAÇÃO. EM
CADA FRAGMENTO, UMA
CADA FRAGMENTO, UMA
HISTÓRIA; EM CADA REFLEXO, A
HISTÓRIA; EM CADA REFLEXO, A
PROMESSA DE UM MUNDO POR
PROMESSA DE UM MUNDO POR
REVELAR.
REVELAR.
NO TOQUE CURIOSO DA MÃO
SOBRE A TRANSPARÊNCIA FRIA,
NO OLHAR INFANTIL QUE BUSCA
O MUNDO ATRAVÉS DA JANELA, JÁ
SE REVELA A MAGIA ANCESTRAL
DO VIDRO COMO INTERFACE E
PORTAL. DE ORNAMENTO ANTIGO
A PROTAGONISTA DA ARTE
CONTEMPORÂNEA, O VIDRO
PERSISTE COMO MATÉRIA DE
CRIAÇÃO E CONTEMPLAÇÃO. EM
CADA FRAGMENTO, UMA
HISTÓRIA; EM CADA REFLEXO, A
PROMESSA DE UM MUNDO POR
REVELAR.
"O vidro me ensina a escutar o
silêncio das formas — ele fala
com a luz, se quebra e se refaz
como a própria alma."
Ju Chaves
Vidro que Respira
Há materiais que obedecem ao gesto. Outros, resistem antes de se render. O
vidro, com sua memória de fogo e areia, caminha no limiar entre a delicadeza e a
força — matéria de extremos, espelho daquilo que é humano. Nas mãos de Ju
Chaves, ele se torna mais do que forma: se torna pele, se torna voz.
Cada obra da artista nasce de um encontro íntimo com a matéria. O processo —
corte, pintura manual, queima, colagem e rejunte — não é mera técnica, mas um
ritual. Ju dialoga com o vidro como quem escuta o tempo. Entre uma lâmina e
outra, entre um fragmento e o calor do forno, ela revela camadas que estão além
do visível. Há algo de ancestral em seu fazer — como se cada peça resgatasse
memórias do corpo, da terra, da alma feminina e da própria natureza.
Ju Chaves
O VIDRO, EM SUA
O VIDRO, EM SUA
TRANSPARÊNCIA, PERMITE VER
TRANSPARÊNCIA, PERMITE VER
ATRAVÉS. MAS NAS MÃOS DE
ATRAVÉS. MAS NAS MÃOS DE
JU, ELE TAMBÉM PERMITE
JU, ELE TAMBÉM PERMITE
SENTIR ATRAVÉS. CADA
SENTIR ATRAVÉS. CADA
COMPOSIÇÃO CARREGA
COMPOSIÇÃO CARREGA
SÍMBOLOS DO SAGRADO
SÍMBOLOS DO SAGRADO
FEMININO — CURVAS,
FEMININO — CURVAS,
MANDALAS, GEOMETRIAS
MANDALAS, GEOMETRIAS
SUTIS E ORGÂNICAS QUE
SUTIS E ORGÂNICAS QUE
REMETEM AO CICLO DA VIDA,
REMETEM AO CICLO DA VIDA,
AO GESTO DA CRIAÇÃO E AO
AO GESTO DA CRIAÇÃO E AO
MISTÉRIO DA
MISTÉRIO DA
TRANSFORMAÇÃO.
TRANSFORMAÇÃO.
O VIDRO, EM SUA
TRANSPARÊNCIA, PERMITE VER
ATRAVÉS. MAS NAS MÃOS DE
JU, ELE TAMBÉM PERMITE
SENTIR ATRAVÉS. CADA
COMPOSIÇÃO CARREGA
SÍMBOLOS DO SAGRADO
FEMININO — CURVAS,
MANDALAS, GEOMETRIAS
SUTIS E ORGÂNICAS QUE
REMETEM AO CICLO DA VIDA,
AO GESTO DA CRIAÇÃO E AO
MISTÉRIO DA
TRANSFORMAÇÃO.
Há nelas uma pulsação
poética, como se a luz
que atravessa o vidro
levasse consigo as
emoções que ali
repousam.
Trabalhar com vidro é como tocar o
tempo: é preciso paciência, entrega e
respeito pela beleza que nasce da
transformação.
Ju Chaves