Há artistas que escutam antes de pintar. Manuel é um deles.
Em seu ateliê, cada pincelada nasce como se fosse uma nota — um gesto que
vibra entre o som e o silêncio, entre o visível e o que apenas se pressente. Sua
arte é feita de pausas, intervalos e ressonâncias. É pintura, mas soa como
música.
Nascido nas Ilhas Canárias e enraizado no Brasil, Manuel carrega nas mãos o
contraste entre o fogo das paisagens vulcânicas e a doçura tropical que o
acolheu. Formado em Arquitetura pela UFRJ, aprendeu desde cedo que toda
criação requer estrutura, proporção e harmonia — princípios que ele hoje
transpõe da geometria para o coração das coisas. Sua formação o ensinou a
medir espaços, mas é na arte que ele aprendeu a medir emoções.
Em sua série “As Quatro Estações”, inspirada na obra imortal de Antônio Vivaldi,
Manuel transforma o som em imagem, a cadência em cor. A música, para ele,
não é tema — é matéria.
O Inverno se revela em tons austeros e linhas retorcidas, onde o frio se traduz em
silêncio e a esperança se insinua nas margens cinzentas.
O Verão é febril, cheio de ritmo e luz, quase dançante. Cada tela, um concerto
interior.
Em suas palavras, “sem o silêncio não existiria arte”.
Talvez por isso, em meio ao movimento e à cor, haja sempre nas obras de Manuel
um espaço de respiro — aquele intervalo que antecede o som e dá sentido à
melodia.
Suas composições têm ritmo, mas também têm pausa; têm intensidade, mas
nunca gritam.
Ele pinta a emoção que a música desperta, não sua aparência. Traduz o invisível
com a serenidade de quem compreende que toda nota é também uma cor
esperando ser vista.
O Canto das Cores
mdelanuez