ArtNow Report - Ed. 10 Port.

Edição 10

Edição 10

Janeiro

Janeiro 2026

2026

Edição 10

Janeiro 2026

r e p o r t

ArtNow

ArtNow Report

Arte de todas as formas

A Quintessência da

Bossa e o Jazz

A Quintessência da

Bossa e o Jazz

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim

HÁ UMA

ELEGÂNCIA QUE

NÃO SE EXPLICA,

APENAS SE

RECONHECE NO

PRIMEIRO ACORDE.

E há uma linha imaginária que conecta a curva das montanhas do Rio de Janeiro às

arestas verticais de Manhattan. Em algum ponto da década de 1960, essa linha

deixou de ser geográfica para se tornar uma frequência sonora. Nesta edição

histórica da ArtNow Report, celebramos o momento exato em que a arquitetura do

som mudou para sempre, personificada em duas figuras que, separadas, eram

gigantes, mas juntas, desenharam a paisagem da elegância moderna: Antonio

Carlos Jobim e Frank Sinatra.

Foi o "silêncio complexo" da Bossa Nova, que capturou os ouvidos daquele que, até

então, era a voz definitiva da América. Frank Sinatra - The Voice, o homem que

carregava o peso das metrópoles em suas cordas vocais, percebeu que no

minimalismo de Jobim havia sofisticação.

O encontro, eternizado no álbum de 1967, foi um estudo de contrastes

complementares. De um lado, Sinatra: a encarnação do uísque, do terno de corte

impecável, da noite urbana iluminada por neons, a voz que projetava poder e

melancolia com a força de um arranha-céu. Do outro, Jobim: a encarnação da água

salgada, da camisa de linho aberta, do horizonte infinito, o timbre que não cantava,

mas conversava com a natureza.

Quando suas vozes se uniram — o americano tentando suavizar sua potência para

caber na delicadeza do brasileiro, e o brasileiro estruturando sua leveza para

sustentar o peso do ícone —, operou-se a mágica. Frank não apenas cantou Bossa

Nova; ele permitiu que a Bossa Nova o despisse. "I Concentrate on You" ou "The Girl

from Ipanema" deixaram de ser canções para se tornarem paisagens. Visualmente,

era como ver um Filme Noir sendo invadido por uma aquarela impressionista. O

cinza grafite de Sinatra ganhou os tons de azul cobalto de Jobim.

Na música Dindi, Sinatra canta com uma fragilidade que poucos conheciam, guiado

pelo piano econômico e genial de Tom. Naquele estúdio, não havia mais o cantor e

o compositor, o norte e o sul. Havia apenas a busca pela beleza absoluta, aquela

que dispensa traduções.

É por isso que, nesta edição especial da ArtNow Report, tomamos a liberdade

editorial de dividir para unir. Na capa de nossa edição em português, reina absoluto

Tom Jobim, o maestro que traduziu o Brasil em alta cultura. Na edição internacional,

impera Frank Sinatra, a lenda que teve a sabedoria de calar os metais para ouvir o

violão.

O legado desse encontro transcende as faixas do vinil. Ele definiu uma era onde a

música brasileira e o jazz americano fundiram-se para criar uma linguagem universal

de luxo e intelecto. Tom e Frank provaram que a beleza não precisa gritar para ser

eterna; ela precisa apenas de verdade e precisão.

Eles ocupam capas diferentes, mas assim como o disco, também é bilingue e

contam a mesma história: aquela em que a música, em sua forma mais

elevada, é uma ponte invisível onde o oceano beija o arranha-céu. Onde o

balanço do Rio ensinou Nova York a respirar, e a sofisticação de Nova York

ensinou o Rio a se eternizar. Ao olhar para o Maestro e para "The Voice", não

vemos apenas músicos; vemos a arquitetura da emoção humana em seu

estado mais refinado.

Convidamos você, a explorar esta edição de ArtNow Report, onde celebramos

o instante em que o Rio e Nova York tornaram-se a mesma cidade — uma

metrópole de som e visão que, ainda hoje, dita o ritmo dos nossos sonhos

mais sofisticados.

Harmonia em Dois Tempos

Harmonia em Dois Tempos

Harmonia em Dois Tempos

Amanda Medeiros

Amanda Medeiros

Amanda Medeiros

Existem frequências que o ouvido humano capta, e existem frequências que apenas o

olhar de uma artista alcança. Para Amanda Medeiros, o silêncio do ateliê é apenas o

prelúdio de uma orquestra invisível. Nesta edição histórica da ArtNow Report, a artista

não apenas retrata dois rostos; ela materializa dois estados de espírito que definiram o

século XX. De um lado, a Bossa Nova, feita de mar, sussurro e pausa. Do outro, o Jazz,

moldado em veludo, neon e na urgência da metrópole.

Ao assumir as capas duplas — Tom Jobim para a edição brasileira e Frank Sinatra para

a internacional —, Amanda opera como uma mediadora estética entre o Rio de Janeiro

e Nova York. Sua pintura torna-se o estúdio imaginário onde o "sal" e o "ouro" se

encontram novamente.

Quando Amanda volta seu pincel para Tom Jobim, o gesto muda. "Tom assumiu a

direção logo nas primeiras pinceladas", revela ela. A artista compreendeu

instintivamente que a Bossa Nova é uma arte de subtração: é preciso tirar o excesso

para que o essencial vibre. Em sua tela, o maestro surge sob a proteção do chapéu —

seu eterno refúgio de sombra e timidez —, com o olhar perdido num horizonte que

parece conter toda a Baía de Guanabara.

A técnica aplicada aqui é o sfumato da alma. Amanda usa o "mínimo de tinta possível",

deixando a tela respirar, mimetizando visualmente o modo como João Gilberto e Tom

revolucionaram a música: sem gritar. O preto e branco não é ausência de cor; é uma

atmosfera de neblina e maresia. Ali está o homem que falava da "delicadeza como

força", traduzido em uma imagem que tem o som tranquilo da alma brasileira — uma

pintura que não se impõe, mas acolhe.

"TOM

ASSUMIU A

DIREÇÃO

LOGO NAS

PRIMEIRAS

PINCELADAS",

REVELA A

ARTISTA.

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça / É ela,

menina, que vem e que passa" (Garota de Ipanema),

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça / É ela,

menina, que vem e que passa" (Garota de Ipanema),

Mas ao cruzar o Atlântico para encontrar Frank Sinatra, a

temperatura do ateliê de Amanda sobe. Se Tom é a luz da manhã

filtrada pelas folhas, Sinatra é o reflexo da cidade que nunca dorme.

O Jazz, com suas Big Bands e metais estridentes, exigiu da artista

uma mudança de postura: do recolhimento para o entusiasmo.

Amanda não pintou apenas o cantor; pintou a entidade "The Voice".

Ela buscou a definição visual do cool: aquela elegância atemporal

que funciona como uma armadura de alfaiataria. No rosto de Frank,

traçado com uma "confiança tranquila", reside a tensão do palco e o

domínio absoluto da plateia. Enquanto Tom olha para dentro (para a

saudade), Frank olha para fora (para a conquista). A pincelada de

Amanda ganha estrutura e peso, traduzindo a densidade das

orquestras que o acompanhavam. É o retrato de uma força da

natureza vestida de smoking.

O triunfo desta série reside na sutil engenharia emocional que

Amanda Medeiros constrói. Ao colocar as obras lado a lado, ela

materializa visualmente o respeito mútuo que habitava aquele

estúdio. O olhar de Tom cruza-se com o de Frank, criando um campo

magnético onde a pintura termina a conversa iniciada pela música.

Diante de seus quadros, a melodia se torna presença

física. Seja na pelagem dourada de uma onça que

nos confia as costas, na altivez monocromática de

uma Coco Chanel ou na face destes dois titãs, o gesto

de Amanda é sempre o da reverência. Ela nos

oferece um convite à contemplação — um lembrete

de que, sob as camadas de tinta, pulsa uma verdade

que só quem sabe ver o som é capaz de ouvir.

Instagram: @artes_medeiros

www.amandamedeiros.net

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Obra de Amanda Medeiros em homenagem a música Nordestina

“Minha sanfona fala por mim e leva o som do

meu sertão para o mundo.”

Luiz Gonzaga

Janeiro 2026

Desperte sua criatividade. Bem-vindo à ArtNow Report.

Pintura

Fotografia

Música

Escultura

de Simone Momente

de Simone Momente

de Simone Momente

O Carnegie Hall sob a Regência

O Carnegie Hall sob a Regência

Há espaços que não são apenas construídos, mas compostos. O Carnegie

Hall é um desses templos, onde a arquitetura se curva à sinfonia, e cada

ângulo ressoa com a memória de um acorde. Para a edição especial

"Música que se Vê", a artista Simone Momente, mestre em tecer a memória

em colagem, volta seu olhar para este ícone, não para registrá-lo, mas

para desvendá-lo em sua essência mais profunda. Sua obra é um convite

à sinestesia, onde o silêncio do papel e a sobreposição de texturas se

transformam na mais complexa e sofisticada das partituras. Onde a

música cessa, a arte de Simone começa, revelando a partitura tátil que se

esconde sob o mármore e o veludo.

O Carnegie Hall de Simone não é um edifício de coordenadas geográficas

em Nova York; é uma estrutura erguida sobre a memória. Ao manipular

suas colagens — técnica que em suas mãos ganha a precisão de uma

orquestração —, a artista fragmenta a realidade para recompô-la em

camadas de afeto. Cada recorte de papel age como uma nota em uma

partitura complexa, onde a sobreposição de texturas emula a densidade

harmônica de uma orquestra filarmônica prestes a explodir em um

fortíssimo.

Há, contudo, uma "luthieria" sutil nesse processo. Simone escuta a cor antes

de aplicá-la. Guiada pela elegância vocal de Frank Sinatra e pela

sofisticação bossa-novista de Tom Jobim, ela confere à obra um balanço

que oscila entre o swing do jazz e a melancolia do sol poente de Ipanema.

O prédio, sob seu olhar, respira. As linhas curvas e as ondas que permeiam

a composição não são meros adornos; são a tradução gráfica da

coerência cardíaca da plateia, o registro sismográfico da emoção coletiva

que transformou aquele espaço em um templo.

Simone cria ouvindo música — mas trabalha em silêncio. É nesse

contraste que sua obra se forma, entre o estímulo externo e a escuta

interna. Durante o processo desta peça, Frank Sinatra e Tom Jobim

foram seus cúmplices. “Cada obra tem seu próprio compasso”, diz ela,

e é fácil perceber esse ritmo na construção da imagem: momentos de

intensidade e rupturas rápidas, seguidos por gestos lentos, quase

meditativos. É como se a artista dançasse com as lembranças que a

música desperta.