Existe um olhar capaz de transformar o cotidiano em contemplação. Um olhar que
não se apressa, que escuta silêncios e reconhece beleza nos ritmos invisíveis da
vida. Assim é o olhar de Rubia Mendes — artista visual e fotógrafa que nos conduz
pelas ruas de Paris com delicadeza e lirismo, criando imagens que não apenas
registram momentos, mas também criam atmosferas. Cada clique é um
fragmento poético do real, um convite sutil à pausa e à observação profunda.
A trajetória de Rubia Mendes até este ponto foi tão rica e diversa quanto sua
própria expressão criativa. De Passo Fundo a Caxias do Sul, sua jornada passou
pela Comunicação Social, pelo Cinema, pela História da Arte, pela música e pela
dança — elementos que moldaram sua sensibilidade estética e a prepararam
para o reencontro com a fotografia, após o nascimento de sua filha Maria Luiza,
em 2012. Vieram os retratos de família, os primeiros ensaios, até que percebeu que
sua verdadeira arte nascia quando deixava a técnica se guiar pela intuição. Um
clique simples, feito com uma câmera modesta em um cenário comum, chamou
a atenção de um amigo, que sugeriu transformar aquela imagem em uma obra
de arte. E ali, entre o acaso e o encantamento, começou uma nova fase — mais
livre, mais autêntica.
Foi então, na simplicidade do dia a dia, que Rubia descobriu sua verdadeira
vocação. Ao perceber que sua arte nascia da poesia dos momentos fugazes, da
beleza nos detalhes, da liberdade de expressão, ela abraçou o abstracionismo
fotográfico como sua principal linguagem. Mesmo em cenas urbanas, essa
abordagem se manifesta, transformando suas obras em enigmas visuais —
convites à contemplação e à imaginação.
Com apuro técnico e intuição estética, Rubia revela texturas, movimentos e
atmosferas que muitas vezes passam despercebidos aos olhos menos atentos.
Suas fotografias são como janelas para um mundo de sutilezas, onde a luz e a
sombra se entrelaçam em perfeita harmonia.
Essa sensibilidade singular não passou despercebida — uma de suas imagens
autorais cativou o olhar de uma revista francesa, impulsionando sua carreira para
além das fronteiras brasileiras. Em um curto espaço de tempo, suas obras
passaram a ilustrar as páginas da prestigiada Casa Vogue Brasil, consagrando
seu talento no cenário artístico contemporâneo. E agora, a ArtNow Report tem a
honra de apresentar sua série, capturada nas ruas de Paris — um presente para
os nossos leitores que apreciam a beleza e a poesia do cotidiano. É como se suas
lentes suspendessem o tempo, silenciassem as cores e revelassem apenas a
essência da cena. O que poderia ser banal torna-se simbólico. O ordinário torna-
se enigma.