Mas é justamente nesse limite que suas obras se expandem em significado. Carregam as
digitais da criadora – um lembrete de sua origem artesanal em tempos de formas
reproduzidas em série. Ellis propõe o oposto do consumo excessivo: o tempo do feito à
mão, a valorização da imperfeição como marca de autenticidade. Suas cerâmicas não
são meros utensílios. São manifestações silenciosas de uma filosofia de vida que busca a
sustentabilidade, a simplicidade e o que é verdadeiramente essencial.
Essas peças brancas e únicas transformam a mesa cotidiana num palco para o
extraordinário simples. Sua anatomia convida ao toque, aconchega, e a brancura
minimalista realça os tons vibrantes de tudo que acolhem, fazendo com que "tudo que
suas peças tocam se torne mais saboroso". Imagine-as em um piquenique nos jardins de
Paris: a irregularidade das bordas dialogando com a espontaneidade da grama, a pureza
do branco destacando as cores de frutas e pães. A cerâmica de Ellis eleva o ato de comer
a um ritual sensorial, onde a textura, a forma e a alma da "Casca" adicionam
profundidade a um prazer simples, como o de partilhar um momento sob a luz parisiense.
É um convite a saborear não apenas o alimento, mas o momento, o lugar, a conexão –
exatamente a filosofia que Ellis busca transmitir.
Porque a arte de Ellis Monteiro não é sobre o barro. É sobre o que acontece entre o barro e
as mãos. É sobre aquilo que não se vê — mas se sente, como um afeto, como uma
memória ou como a luz suave que atravessa as nuvens e pousa sobre a cerâmica, nos
lembrando de que até o mais simples pode conter o sublime.
Instagram: @ellis__monteiro
Fotografia: Fran Souza.