ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Mas é justamente nesse limite que suas obras se expandem em significado. Carregam as

digitais da criadora – um lembrete de sua origem artesanal em tempos de formas

reproduzidas em série. Ellis propõe o oposto do consumo excessivo: o tempo do feito à

mão, a valorização da imperfeição como marca de autenticidade. Suas cerâmicas não

são meros utensílios. São manifestações silenciosas de uma filosofia de vida que busca a

sustentabilidade, a simplicidade e o que é verdadeiramente essencial.

Essas peças brancas e únicas transformam a mesa cotidiana num palco para o

extraordinário simples. Sua anatomia convida ao toque, aconchega, e a brancura

minimalista realça os tons vibrantes de tudo que acolhem, fazendo com que "tudo que

suas peças tocam se torne mais saboroso". Imagine-as em um piquenique nos jardins de

Paris: a irregularidade das bordas dialogando com a espontaneidade da grama, a pureza

do branco destacando as cores de frutas e pães. A cerâmica de Ellis eleva o ato de comer

a um ritual sensorial, onde a textura, a forma e a alma da "Casca" adicionam

profundidade a um prazer simples, como o de partilhar um momento sob a luz parisiense.

É um convite a saborear não apenas o alimento, mas o momento, o lugar, a conexão –

exatamente a filosofia que Ellis busca transmitir.

Porque a arte de Ellis Monteiro não é sobre o barro. É sobre o que acontece entre o barro e

as mãos. É sobre aquilo que não se vê — mas se sente, como um afeto, como uma

memória ou como a luz suave que atravessa as nuvens e pousa sobre a cerâmica, nos

lembrando de que até o mais simples pode conter o sublime.

Instagram: @ellis__monteiro

Fotografia: Fran Souza.