A essência que a fascina em Versailles é o "encontro de dois estilos
predominantes", o monumental Barroco Clássico de Luís XIV e o leve Rococó
de Luís XV, com suas "cores claras, motivos florais e cenas galantes". Adriana
"ama" esses estilos e tenta incluí-los em seu trabalho, utilizando "folhas de
ouro, cores metálicas, detalhes e pinceladas mais clássicas". Essa mistura de
teatralidade e romantismo se reflete em sua técnica, que incorpora esses
metálicos sutis e uma paleta de cores que flutua entre o etéreo e o
dramático. Há uma harmonia arquitetônica em cada composição — reflexo,
talvez, da precisão que vem de sua formação inicial como cirurgiã dentista,
agora sublimada em arte.
Mas é nas flores que Adriana parece encontrar seu idioma mais íntimo.
Rosas, peônias, hortênsias — todas traduzidas em aquarelas que respiram
leveza, mas carregam o peso simbólico da história. Suas "Flores Europeias"
são mais que botânicas: são narrativas silenciosas de um Velho Mundo onde
cada pétala pode contar um segredo.
Para Adriana, de fato, as flores carregam "memórias históricas". Elas a fazem
"viajar no tempo" tanto pela espécie em si — peônias, rosas associadas à
Europa, Versailles, o período clássico — quanto através de artistas que as
retrataram, como Pierre Joseph Redouté (evocando o clássico, científico) e
Monet (transportando-a pela "Belle Époque", auge da elegância, do luxo e da
arte). Suas pinturas botânicas, conhecidas como "Flores Europeias", são
"botânicas muito românticas" que, em seus tons e formas, transmitem esse
"ar mais clássico transportando as pessoas para o 'velho mundo'." Rosas e
peônias, em particular, representariam Maria Antonieta, por serem "luxuosas,
aristocráticas, belas e complexas".
No ateliê, Adriana recriou Versailles com seus próprios rituais: livros de arte,
filmes históricos, trilhas sonoras francesas e até perfumes com fragrâncias
aristocráticas fizeram parte do processo criativo. Até os materiais escolhidos
— papéis e tintas francesas, de tradição centenária — carregam a intenção
de transformar cada obra numa carta visual endereçada ao passado.
A contemplação de sua arte nos convida a uma reflexão que transcende a
tela: as flores podem guardar memórias? Podem. Assim como podem
carregar os traços de uma revolução, o perfume de uma corte e a atmosfera
de uma Paris que ela, mais de uma vez, chamou de sua.
E você? Que memória despertaria ao contemplar uma das flores de
Versailles pintadas por Adriana Soares?