E HÁ, NESSA OBRA,
ALGO QUE A TÉCNICA
SOZINHA NÃO EXPLICA.
É O INTERVALO ENTRE
UMA SOMBRA E
OUTRA QUE PULSA,
o vermelho ausente que ainda assim se faz sentir, a escolha pelo preto e branco que
não empalidece — aprofunda. Essa Chanel, vista pela alma de Amanda, não quer
deslumbrar. Quer inquietar. Seu olhar direto nos atravessa sem pressa, sem
afetação, como quem sabe exatamente o que significa deixar uma marca que o
tempo não apaga.
Inspirada por uma frase que Chanel certa vez disse — “o estilo é uma assinatura que
transcende o tempo” — Amanda imprime aqui sua própria assinatura. E o faz com a
reverência dos que sabem ouvir a matéria da qual a memória é feita. Seu realismo é
sensível, quase táctil. Mas é naquilo que não se vê que mora sua grande força: o
subtexto, a atmosfera, a alma.
Esta obra inaugura uma série dedicada aos grandes nomes da moda. Mas Amanda
não se embriaga pelo brilho. Ela destila. E ao destilar, depura. Chanel, Dior, Lagerfeld
virão. Mas cada um deles será reinventado sob o prisma dessa artista que nunca
copia — interpreta.