ArtNow Report - Ed. 08 - Port

E HÁ, NESSA OBRA,

ALGO QUE A TÉCNICA

SOZINHA NÃO EXPLICA.

É O INTERVALO ENTRE

UMA SOMBRA E

OUTRA QUE PULSA,

o vermelho ausente que ainda assim se faz sentir, a escolha pelo preto e branco que

não empalidece — aprofunda. Essa Chanel, vista pela alma de Amanda, não quer

deslumbrar. Quer inquietar. Seu olhar direto nos atravessa sem pressa, sem

afetação, como quem sabe exatamente o que significa deixar uma marca que o

tempo não apaga.

Inspirada por uma frase que Chanel certa vez disse — “o estilo é uma assinatura que

transcende o tempo” — Amanda imprime aqui sua própria assinatura. E o faz com a

reverência dos que sabem ouvir a matéria da qual a memória é feita. Seu realismo é

sensível, quase táctil. Mas é naquilo que não se vê que mora sua grande força: o

subtexto, a atmosfera, a alma.

Esta obra inaugura uma série dedicada aos grandes nomes da moda. Mas Amanda

não se embriaga pelo brilho. Ela destila. E ao destilar, depura. Chanel, Dior, Lagerfeld

virão. Mas cada um deles será reinventado sob o prisma dessa artista que nunca

copia — interpreta.