ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Se Versalhes legou a opulência e a estrutura, os museus parisienses, com o

Louvre à frente, oferecem um dicionário infinito de formas, cores e narrativas

artísticas. A Vitória de Samotrácia, com seu drapeado que parece desafiar o

mármore, continua a inspirar designers a buscar a fluidez impossível no tecido,

uma lição de escultura aplicada à moda. As figuras serenas da pintura

neoclássica de David influenciaram a pureza das linhas e a palidez marmórea do

estilo Diretório e Império. A dramaticidade romântica de Géricault ou Delacroix

pode ser vista em peças que buscam expressar paixão e movimento através de

cortes e texturas intensas.

A paleta de cores de toda a história da arte está à disposição: os impressionistas

emprestam sua luz vibrante e pinceladas fragmentadas para estampas e

texturas; os fauvistas, sua audácia cromática; os surrealistas, seu onirismo e

justaposições inesperadas. O diálogo pode ser direto, como no vestido Mondrian

de Saint Laurent, uma tradução literal da abstração geométrica para o corpo, ou

mais sutil, na forma como a composição de uma pintura influencia o corte de

uma peça, ou como a atmosfera de uma obra inspira o mood de uma coleção. A

própria fotografia de moda frequentemente encena suas modelos em poses e

cenários que são releituras diretas de obras de arte canônicas, reafirmando essa

dívida criativa. As musas do museu não são estáticas; são fontes perenes que a

moda revisita, reinterpreta e veste.