ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Nascida em Buenos Aires e radicada no Rio de Janeiro, Adriana Nataloni

construiu uma trajetória singular no cenário da arte contemporânea. Desde os

primeiros passos, sua inquietação criativa impulsionou uma exploração

constante entre técnicas e materiais, resultando em uma linguagem visual que

desafia convenções e convida à reflexão.

Influenciada por experiências artísticas entre Brasil e França, Adriana transita

por diversas frentes, incluindo pintura, desenho, fotografia e instalação. Sua

prática se ancora na fusão do inorgânico — materiais plásticos e resíduos da

sociedade de consumo — com um discurso que evoca o Antropoceno e

questiona a efemeridade da existência humana.

Ao longo de sua carreira, participou de exposições marcantes, como

“Consumíveis”, na Galeria Artnova, e “Laboratórios de Atmosferas”, no Espaço

Cultural Municipal Sérgio Porto. Suas obras, permeadas por um diálogo entre o

caos e a organização, desafiam a estética industrial e reivindicam um olhar

mais profundo sobre a relação entre matéria e tempo. O crítico Marco

Cavalcanti destaca essa abordagem como um resgate da herança dadaísta,

evocando o espírito insurgente de movimentos artísticos como o Black

Mountain College.

Seu trabalho transforma resíduos plásticos e outros materiais inorgânicos em

composições que refletem a sociedade de consumo e o impacto humano no

planeta. Segundo Marco Cavalcanti, sua obra 'recusa as premissas estéticas da

uniformização industrial', convertendo o caos em uma mensagem estética e

filosófica.

Explorando as nuances da transformação e da resiliência, Adriana convida o

espectador a refletir sobre o pertencimento e a efemeridade. Através de

pinturas, desenhos, fotografias e instalações, revela as camadas invisíveis que

compõem nossa realidade.