ArtNow Report - Ed. 08 - Port

A arte de Iuri Lima é visceral,

ancestral e moderna ao

mesmo tempo.

Carrega as marcas de sua

herança afro-brasileira, o

legado do pai, a sabedoria do

corpo e da memória.

Suas obras têm textura, alma e presença. São imagens que falam da

resistência e da beleza, da dor e da reconstrução. Ele entalha não só a

madeira — entalha também o tempo, a ausência, a vida.

Mas o que torna a obra de Iuri única vai além das exposições. Está na técnica

que desenvolveu com as próprias mãos, no silêncio da madeira. Ele trabalha

com xilogravura contemporânea em baixo relevo, utilizando madeira

compensada de 4mm. O desenho nasce do entalhe, da retirada, da

subtração. Depois vem a cor — aplicada com pincel e, sobretudo, com os

dedos. É no toque, na sensibilidade tátil, que ele encontra o tom exato. Seu

processo é quase um ritual: ele sente a madeira, escuta seu ritmo, deixa que

a imagem emerja com intensidade e delicadeza.

Hoje, com obras circulando entre continentes, Iuri segue entalhando sua

identidade no mundo. Cada peça sua é um gesto de cura, de permanência,

de arte como ato de amor e continuidade. Ele não apenas cria — ele

transforma. E ao olhar para suas obras, somos também convidados a tocar

nossa própria história.

Instagram: @iuridesouzalima