ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Simone Decanini vem conquistando espaço no cenário das artes visuais com uma

produção que une técnica, sensibilidade e um olhar atento às nuances do cotidiano.

Desde 2017, Simone assumiu de vez a artista que sempre existiu dentro dela. Além de

artista visual, ela também é professora, o que torna ainda mais evidente sua vocação

para criar conexões sensíveis entre forma, cor e emoção. A aquarela, com sua fluidez e

imprevisibilidade, tornou-se sua linguagem preferencial. Não por acaso: é nela que

Simone encontrou o caminho para expressar o invisível — o sentimento que paira no ar,

a luz que muda de tom ao longo do dia, a lembrança de um lugar que permanece na

alma.

Sua recente jornada por terras europeias — Espanha, Itália, França, Países Baixos e Reino

Unido — não apenas ampliou o repertório visual. Trouxe também uma paleta de

emoções acumuladas, uma geografia íntima que agora se desdobra em cada traço e

em cada mancha de cor. Giverny, com seus jardins suspensos em luz; o Musée d’Orsay,

com suas sombras densas de história; a Casa Batlló, com suas curvas orgânicas; e o

deslumbrante Keukenhof Garden, em Lisse, nos Países Baixos, onde a artista viveu uma

verdadeira alucinação cromática — entre tulipas, narcisos, glicínias, muscaris e

orquídeas que, desde então, parecem ter saído a dançar por suas obras — tornaram-se

mapas afetivos que ela redesenha em papel, tecido e porcelana.

As séries “Terras e Cores” e “Les Jardins” são frutos diretos dessa jornada. Mais do que

representar o que viu, Simone propõe um convite ao sentir. Suas aquarelas não

descrevem. Sugerem. São camadas de memória misturadas a pigmentos, criando

composições que equilibram leveza e profundidade.

O encantamento por lugares como a Casa Batlló, os Jardins de Monet, os parques de

Paris e as salas do Musée d’Orsay aparece de forma sutil. As referências estão ali, mas

não como cópia ou registro literal — e sim como impressão emocional, diluída entre

tons, vazios e texturas.

Simone tem a habilidade de transformar cada obra em uma experiência visual e

sensorial. Seja no papel, nos tecidos ou nas porcelanas, o público é convidado a um

mergulho na cor, na textura e na atmosfera emocional que cada peça carrega. Sua

produção não se limita à estética: ela propõe um diálogo íntimo entre obra e

espectador, estimulando a memória afetiva e a contemplação.