ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Durante muitos anos, Rute Collar guardou dentro de si um silêncio cheio

de cor. Nascida em Santa Fé, no interior do Paraná, e moradora de

Araguari, Minas Gerais, há mais de quatro décadas, ela sempre sentiu a

arte pulsando discretamente em seu peito. Mas, como tantas mulheres,

Rute adiou seus sonhos para viver o que a vida exigia dela naquele

momento. E foi só em 2018 que decidiu, enfim, escutar a voz suave que

lhe sussurrava há anos: “É hora de pintar”.

O recomeço veio em passos tímidos: cursos online, depois aulas

presenciais. Mas ao perceber que sua alma ansiava por liberdade,

entendeu que não queria apenas repetir pinceladas alheias — ela

queria criar as suas. Pintar, para Rute, não era apenas técnica: era

linguagem, era voo. E assim nasceu uma artista autodidata, que se

permitiu colorir o próprio destino com coragem e verdade.

Cada quadro de Rute é um sopro de energia, uma explosão de vida.

Suas obras carregam a vibração de quem não teme mais esperar o

momento certo, porque entendeu que o momento certo é aquele em

que se ousa começar.

Ao mergulhar nas tintas, ela encontrou algo maior que beleza:

encontrou sentido. Suas cores são intensas como as emoções que por

tanto tempo guardou; suas formas são livres como os pensamentos

que, agora, ganham espaço para se transformar em poesia visual.

A trajetória de Rute Collar é daquelas que tocam a alma — porque nos

lembram, com delicadeza e verdade, que nunca é tarde para florescer.

O tempo pode até seguir seu curso, mas os sonhos que nascem do

coração não desaparecem: apenas repousam, à espera do instante

certo para despertar. E, às vezes, tudo o que eles precisam é de um ato

de coragem para ganharem asas.

As obras de Rute são como janelas para mundos onde a alegria se

entrelaça com a liberdade. Suas composições transbordam cor e

energia — como se cada pincelada fosse um suspiro de vida renovada.

Há algo de intuitivo, quase mágico, em seus trabalhos: uma mistura de

sensibilidade e vibração que transforma o olhar de quem contempla.

São pinturas que não apenas encantam — elas tocam, acolhem e

despertam. Como se a artista depositasse, em cada cor, um fragmento

da sua essência e da sua luz.