Durante muitos anos, Rute Collar guardou dentro de si um silêncio cheio
de cor. Nascida em Santa Fé, no interior do Paraná, e moradora de
Araguari, Minas Gerais, há mais de quatro décadas, ela sempre sentiu a
arte pulsando discretamente em seu peito. Mas, como tantas mulheres,
Rute adiou seus sonhos para viver o que a vida exigia dela naquele
momento. E foi só em 2018 que decidiu, enfim, escutar a voz suave que
lhe sussurrava há anos: “É hora de pintar”.
O recomeço veio em passos tímidos: cursos online, depois aulas
presenciais. Mas ao perceber que sua alma ansiava por liberdade,
entendeu que não queria apenas repetir pinceladas alheias — ela
queria criar as suas. Pintar, para Rute, não era apenas técnica: era
linguagem, era voo. E assim nasceu uma artista autodidata, que se
permitiu colorir o próprio destino com coragem e verdade.
Cada quadro de Rute é um sopro de energia, uma explosão de vida.
Suas obras carregam a vibração de quem não teme mais esperar o
momento certo, porque entendeu que o momento certo é aquele em
que se ousa começar.
Ao mergulhar nas tintas, ela encontrou algo maior que beleza:
encontrou sentido. Suas cores são intensas como as emoções que por
tanto tempo guardou; suas formas são livres como os pensamentos
que, agora, ganham espaço para se transformar em poesia visual.
A trajetória de Rute Collar é daquelas que tocam a alma — porque nos
lembram, com delicadeza e verdade, que nunca é tarde para florescer.
O tempo pode até seguir seu curso, mas os sonhos que nascem do
coração não desaparecem: apenas repousam, à espera do instante
certo para despertar. E, às vezes, tudo o que eles precisam é de um ato
de coragem para ganharem asas.
As obras de Rute são como janelas para mundos onde a alegria se
entrelaça com a liberdade. Suas composições transbordam cor e
energia — como se cada pincelada fosse um suspiro de vida renovada.
Há algo de intuitivo, quase mágico, em seus trabalhos: uma mistura de
sensibilidade e vibração que transforma o olhar de quem contempla.
São pinturas que não apenas encantam — elas tocam, acolhem e
despertam. Como se a artista depositasse, em cada cor, um fragmento
da sua essência e da sua luz.