A técnica de Simone é intrínseca à sua narrativa. As colagens e a sobreposição
de papéis não são meros recursos; são a própria metáfora da acumulação de
histórias, das vivências que se somam como estratos na pele da cidade e na
nossa memória. Cada pedaço de papel é um fragmento de tempo, cada
pincelada de cor, um eco de emoção.
Na obra de Simone, a Torre Eiffel revela a alma de Paris: ousada na inovação,
mas profundamente artística e poética. Ela se ergue como um farol que, através
das gerações, conecta pessoas e sentimentos, acolhendo fragmentos de
memória de turistas, moradores e apaixonados. E nesse diálogo entre o ícone e o
afeto, encontramos a própria Simone. Sua afinidade visceral com Paris, sua
linguagem autoral que transforma curvas em natureza e cores em sentimentos,
sua história pessoal imbricada na tela – tudo isso é a "Simone" que habita e dá
vida a essa Torre. Os detalhes camuflados na base, como memórias discretas
espalhadas pela cidade, só são percebidos por um olhar que ousa ir além do
óbvio, um olhar atento que ela nos ensina a cultivar.
Simone Momente deseja que, ao contemplar sua Torre, o espectador sinta uma
brisa de lembrança – uma experiência universal de afeto, mesmo que nunca
tenha estado lá. Que sinta o tempo passar com uma gentileza inesperada,
mediada pela solidez da estrutura e a leveza dos ventos representados. E se
pudesse resumir tudo em uma palavra, seria "Sopro". Porque é o sopro das
memórias, do vento, da vida e da arte que a Torre respira em sua obra.
A arte de Simone Momente nos oferece refúgios de fluidez e sensibilidade. Ela
nos lembra que os lugares mais icônicos são construídos não apenas de
concreto e ferro, mas das histórias e emoções que neles depositamos. Sua
Torre Eiffel é um convite a desacelerar, a sentir o tempo de forma gentil e a
permitir que um "sopro" de Paris toque e reacenda a alma, provando que a arte
tem o poder de nos transportar para dentro de nós mesmos, através de um
portal tecido de memória e poesia.