Sua arte é uma
travessia entre
mundos: a precisão
cirúrgica da ciência, a
liberdade selvagem da
criação, o mistério da
alma humana.
Cada obra de Farley é um convite à reflexão — sobre o que
somos, o que curamos, o que deixamos ferir.
Talvez a chave para compreender a potência de sua obra resida
nessa intersecção única entre cuidar e criar. A arte, para Farley,
parece ser uma extensão natural da cura – não apenas a cura
física, mas a emocional, a social, a espiritual. Assim como a
medicina busca restaurar o equilíbrio do corpo, sua arte parece
buscar um reequilíbrio do olhar, uma sutura simbólica nas
feridas abertas da nossa humanidade. Ele transforma a
observação atenta da ciência em composição artística, a escuta
empática do terapeuta em diálogo cromático, a fragilidade da
existência em força estética.
Ao contemplar suas telas, o espectador não apenas vê — ele
sente. Sente o rumor dos povos da floresta, a inquietação das
cidades esquecidas, a esperança tímida de um futuro reescrito
pelas mãos que, um dia, seguraram bisturis e agora desenham
horizontes.
É a arte como diagnóstico da alma e, quem sabe, como
prescrição de beleza para um mundo que anseia por redenção.