ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Sua arte é uma

travessia entre

mundos: a precisão

cirúrgica da ciência, a

liberdade selvagem da

criação, o mistério da

alma humana.

Cada obra de Farley é um convite à reflexão — sobre o que

somos, o que curamos, o que deixamos ferir.

Talvez a chave para compreender a potência de sua obra resida

nessa intersecção única entre cuidar e criar. A arte, para Farley,

parece ser uma extensão natural da cura – não apenas a cura

física, mas a emocional, a social, a espiritual. Assim como a

medicina busca restaurar o equilíbrio do corpo, sua arte parece

buscar um reequilíbrio do olhar, uma sutura simbólica nas

feridas abertas da nossa humanidade. Ele transforma a

observação atenta da ciência em composição artística, a escuta

empática do terapeuta em diálogo cromático, a fragilidade da

existência em força estética.

Ao contemplar suas telas, o espectador não apenas vê — ele

sente. Sente o rumor dos povos da floresta, a inquietação das

cidades esquecidas, a esperança tímida de um futuro reescrito

pelas mãos que, um dia, seguraram bisturis e agora desenham

horizontes.

É a arte como diagnóstico da alma e, quem sabe, como

prescrição de beleza para um mundo que anseia por redenção.