Há olhares que funcionam como pontes, ligando mundos aparentemente distintos com a
força silenciosa da sensibilidade. O de Tiago Lucas é um desses. Nascido no coração
planejado de Brasília, sua trajetória inicial o levou aos códigos e à lógica da advocacia,
mas foi um chamado mais profundo, uma vocação visual latente, que o redirecionou
para a arte. Ele não apenas trocou de profissão; ele realinhou sua bússola interna com a
paisagem de sua alma, encontrando na fotografia a sua linguagem mais autêntica.
A epifania aconteceu do outro lado do mundo. Durante um intercâmbio na Austrália, em
2015, a compra da primeira câmera para registrar viagens se revelou um encontro
definitivo. A lente tornou-se extensão de seu olhar, e a arte de fotografar, uma paixão
visceral. Autodidata, guiado pela intuição e por uma curiosidade insaciável, Tiago Lucas
não seguiu os cânones tradicionais, mas lapidou sua própria trilha, desenvolvendo uma
assinatura visual que flutua com delicadeza entre o registro documental e a poesia
lúdica.
Seu trabalho é um testemunho da interconexão. Em suas composições, paisagens
naturais e urbanas não se opõem, mas dialogam; a silhueta altiva de um animal silvestre
encontra eco na abstração orgânica de uma folha em decomposição; a vastidão de um
céu contrasta com a minúcia de um detalhe terrestre. Tiago não busca apenas a beleza
estética – embora ela transborde de suas imagens – mas sim a narrativa contida em
cada frame. Cada fotografia é um convite a desacelerar, a observar e a refletir sobre
nossa própria relação com o entorno, uma busca pela essência natural que reside tanto
fora quanto dentro de nós.
Inevitavelmente, esse olhar atento e conectado deságua no ambientalismo. Sua
fotografia não é apenas estética; é um manifesto silencioso, um lembrete visual da
fragilidade e da potência do nosso planeta. Cada imagem carrega em si a urgência da
preservação, a necessidade do consumo consciente e a beleza intrínseca daquilo que
corre o risco de se perder. A câmera, em suas mãos, torna-se uma ferramenta de
diálogo, um instrumento para despertar consciências e inspirar um cuidado mais
profundo com o lar que compartilhamos.
Esse olhar atento e carregado de propósito não passou despercebido. O reconhecimento
veio através de menções honrosas no prestigioso Brasília Photo Show (BPS), maior
concurso fotográfico da América Latina – em 2021, pela obra "Árvore Solitária do Lago
Wanaka", e como semifinalista em 2024, com "Entardecer Radiante no Lago Paranoá".
Tiago Lucas nos oferece mais que imagens; ele nos entrega fragmentos de um mundo
que clama por atenção, janelas para paisagens que nos convidam à introspecção e à
ação. Sua fotografia é a prova de que a arte pode ser, simultaneamente, beleza e alerta,
poesia e documento, expressão pessoal e chamado coletivo. É um convite a reencontrar
nossa própria natureza através da lente sensível de um artista que escolheu a imagem
como sua forma de cuidar do mundo.