ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Se a "Dama de Ferro", imponente e sólida, nos contou sua história de engenharia

e audácia nas páginas anteriores, agora é a vez de ouvir seus sussurros mais

íntimos. Simone Momente chega para nos desvelar não apenas a estrutura de

metal e rebites, mas a alma que ali pulsa – um palco de afetos, um guardião de

memórias. Em suas mãos, a Torre Eiffel transcende o aço frio para se tornar um

convite à poesia e à introspecção.

A arte de Simone reside precisamente nesse delicado ponto de encontro: a

tensão lírica entre a rigidez reconhecível da engenharia e a fluidez dos

sentimentos que ela evoca. Seu trabalho na Torre é a materialização dessa

dualidade. Utilizando camadas de papel e a leveza translúcida da aquarela, ela

constrói uma "trama" visual que parece suavizar o ferro, permitindo que a Dama

respire, que dance com o vento invisível de Paris e observe a passagem gentil do

tempo.

Mas essa Torre é, acima de tudo, uma arquitetura de afetos. Essa é uma

assinatura de Simone Momente, já reconhecida pelos leitores da ArtNow Report

ao desvelar a alma de ícones que vão do modernismo brasileiro ao luxo global,

como o Copan, o MASP, a Ponte Estaiada em São Paulo, o histórico Hôtel du Marc

na França e a futurística Vela do Deserto (Burj Al Arab) em Dubai. Simone tece a

Torre com fios de lembrança: as histórias dos pais sobre Paris, os ventos alísios

mencionados com encanto, a delicadeza das cadeiras trançadas dos cafés, o

dourado das árvores nos parques, a celebração dos 25 anos de casamento

vivida sob seu olhar vigilante. A Torre Eiffel, em sua obra, deixa de ser apenas um

monumento para se tornar um portal onde o tempo se dobra e as memórias –

pessoais e universais – se sobrepõem em camadas visuais, criando uma

verdadeira paisagem da alma.