ArtNow Report - Ed. 08 - Port

No

vibrante

e

multifacetado

panorama

da

arte

contemporânea, surgem artistas que funcionam como

pontes, navegadores fluidos entre linguagens, técnicas e

universos culturais. Raggo é um desses nomes, um artista

visual cuja obra pulsa com a energia da cultura pop, a

fluidez do digital e a expressividade do gesto urbano. Seu

percurso não segue linhas retas, mas sim uma espiral

evolutiva onde a tela, o pixel, o spray e até a forma

tridimensional se tornam extensões de uma busca

incessante por uma identidade visual autêntica e em

constante diálogo com o presente.

A gênese de sua trajetória se ancora na Pop Art — a arte

que,

desde

os

anos

60,

ressignificou

o

cotidiano

transformando-o em símbolo e questionamento cultural.

Raggo bebe dessa fonte com naturalidade, mas recusa a

superfície rasa. Os personagens que habitavam suas telas

transcendem a superfície e ganham corpo, tornando-se

objetos de desejo colecionáveis que carregam a mesma

energia pop. A série "Yogue", inspirada por momentos de

conexão e tranquilidade, oferece um contraponto sereno,

explorando o equilíbrio e a forma humana em busca de

paz – talvez um reflexo da própria busca do artista por

harmonia em meio à sua produção dinâmica. A escultura,

para Raggo, funciona como a materialização de ideias, a

extensão natural de seu universo visual para além da

superfície plana.

Fundamental na compreensão de Raggo é seu diálogo

direto com o público e o espaço. Sua capacidade de

produzir

tanto

obras

autorais

quanto

peças

personalizadas não é apenas versatilidade, mas uma

sintonia fina com o desejo contemporâneo por identidade,

representação

e

pertencimento.

Suas

criações

não

habitam apenas galerias; elas adentram lares, escritórios

e espaços comerciais, transformando ambientes. A

colaboração com o TT Burger é emblemática: a arte deixa

de ser objeto de contemplação distante para se tornar

parte da experiência cotidiana, infundindo o espaço com

identidade visual e energia criativa, provando que a arte

pode ser, sim, um ingrediente essencial na vida urbana.