ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Mas seu silêncio pictórico não é alheio ao ruído do mundo.

Atento às dissonâncias sociais, Mario aborda a violência

urbana, as cicatrizes das guerras, o racismo velado, a

desigualdade persistente. Sua arte, contudo, recusa o panfleto.

A crítica emerge sutilmente, através de símbolos e atmosferas

carregadas de sentimento, questionando o espectador de

forma oblíqua, convidando à reflexão em vez da reação

imediata. A série "Marias", ecoando a força resiliente da

canção de Milton Nascimento, e as mulheres tatuadas, que

parecem incorporar a sede de infinito da frase de Clarice

Lispector ("Liberdade é pouco para o que eu quero"), são

exemplos dessa abordagem potente e delicada.

Ainda que retrate o humano, suas figuras não são hiper-

realistas. Elas mantêm o mistério da matéria. Pinceladas que

respiram, camadas que se revelam aos poucos, atmosferas

suspensas entre o visível e o sensível. O que ele pinta não são

apenas imagens — são estados de espírito. São janelas para

dentro.

Mario Schuster faz da arte um ato de resistência. Contra o

mundo acelerado, oferece contemplação. Contra o excesso de

ruído, entrega silêncio. Contra a indiferença, propõe o afeto do

olhar atento. E assim, em cada obra, ele nos devolve algo que

andava faltando: a capacidade de ver, de sentir e de, quem

sabe, transformar.