Mas seu silêncio pictórico não é alheio ao ruído do mundo.
Atento às dissonâncias sociais, Mario aborda a violência
urbana, as cicatrizes das guerras, o racismo velado, a
desigualdade persistente. Sua arte, contudo, recusa o panfleto.
A crítica emerge sutilmente, através de símbolos e atmosferas
carregadas de sentimento, questionando o espectador de
forma oblíqua, convidando à reflexão em vez da reação
imediata. A série "Marias", ecoando a força resiliente da
canção de Milton Nascimento, e as mulheres tatuadas, que
parecem incorporar a sede de infinito da frase de Clarice
Lispector ("Liberdade é pouco para o que eu quero"), são
exemplos dessa abordagem potente e delicada.
Ainda que retrate o humano, suas figuras não são hiper-
realistas. Elas mantêm o mistério da matéria. Pinceladas que
respiram, camadas que se revelam aos poucos, atmosferas
suspensas entre o visível e o sensível. O que ele pinta não são
apenas imagens — são estados de espírito. São janelas para
dentro.
Mario Schuster faz da arte um ato de resistência. Contra o
mundo acelerado, oferece contemplação. Contra o excesso de
ruído, entrega silêncio. Contra a indiferença, propõe o afeto do
olhar atento. E assim, em cada obra, ele nos devolve algo que
andava faltando: a capacidade de ver, de sentir e de, quem
sabe, transformar.