“Nasci desenhando”.
Com essa simplicidade
quase elementar, Mario
Schuster se define,
ancorando sua existência à arte desde a origem, em Pelotas, no extremo sul
do Brasil. Sua trajetória é um testemunho dessa ligação visceral: autodidata
precoce, aos doze anos já absorvia a mestria no ateliê do uruguaio Nestor
Rodrigues, antes mesmo que os caminhos o levassem à universidade –
primeiro, singularmente, para a Medicina Veterinária, depois, como um
retorno ao essencial, para as Artes Plásticas, com bacharelado em Pintura.
Essa dupla formação talvez explique a profundidade do seu olhar, capaz de
aliar a observação minuciosa à empatia radical pelo mundo natural. Em
suas telas, a natureza não é paisagem, mas presença íntima, fragmentária:
troncos de árvores revelando microcosmos, a delicadeza improvável de uma
pena encontrada ao acaso, ninhos desfeitos pelo vento, a fragilidade
translúcida das asas de uma borboleta, galhos que são pura coreografia
aérea. Mario resgata essas “banalidades cotidianas” do fluxo apressado do
olhar contemporâneo, oferecendo-as como pausas, como portais para a
contemplação e para a redescoberta da beleza contida no detalhe.
Cada pintura é uma pausa, uma suspensão do tempo, um convite à lentidão.
São imagens que não gritam — sussurram. E nesse sussurro, revelam um
mundo íntimo, quase secreto, onde tudo tem sentido.