ArtNow Report - Ed. 08 - Port

“Nasci desenhando”.

Com essa simplicidade

quase elementar, Mario

Schuster se define,

ancorando sua existência à arte desde a origem, em Pelotas, no extremo sul

do Brasil. Sua trajetória é um testemunho dessa ligação visceral: autodidata

precoce, aos doze anos já absorvia a mestria no ateliê do uruguaio Nestor

Rodrigues, antes mesmo que os caminhos o levassem à universidade –

primeiro, singularmente, para a Medicina Veterinária, depois, como um

retorno ao essencial, para as Artes Plásticas, com bacharelado em Pintura.

Essa dupla formação talvez explique a profundidade do seu olhar, capaz de

aliar a observação minuciosa à empatia radical pelo mundo natural. Em

suas telas, a natureza não é paisagem, mas presença íntima, fragmentária:

troncos de árvores revelando microcosmos, a delicadeza improvável de uma

pena encontrada ao acaso, ninhos desfeitos pelo vento, a fragilidade

translúcida das asas de uma borboleta, galhos que são pura coreografia

aérea. Mario resgata essas “banalidades cotidianas” do fluxo apressado do

olhar contemporâneo, oferecendo-as como pausas, como portais para a

contemplação e para a redescoberta da beleza contida no detalhe.

Cada pintura é uma pausa, uma suspensão do tempo, um convite à lentidão.

São imagens que não gritam — sussurram. E nesse sussurro, revelam um

mundo íntimo, quase secreto, onde tudo tem sentido.