ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Sua obra é, em última instância, um ato de amor e resistência, um lembrete

eloquente de que proteger é permitir que cada indivíduo floresça em sua forma

mais autêntica, celebrada e, acima de tudo, vista. Ijanes Guimarães nos oferece

não apenas arte para contemplar, mas um farol para um futuro mais inclusivo e

respeitoso, onde cada criança e adolescente possa, simplesmente, ser.

Sua obra é, ao mesmo tempo, denúncia e consolo. É um grito que não fere

— acolhe. É arte que não apenas representa, mas restitui. Que não apenas

mostra, mas refaz.

Mas é na ousada ausência de traços faciais – olhos, nariz, boca – que a

arte de Ijanes revela sua mais potente e generosa provocação. Longe de

ser um vazio, essa escolha é um portal. Ao subtrair o particular, a artista

universaliza a experiência, permitindo que cada observador se projete

naquelas figuras livres, que se reconheça na essência que transcende a

forma visível. É um convite à introspecção, uma celebração da beleza que

reside não na conformidade, mas na singularidade intrínseca de cada ser.

Essa "face em branco" torna-se um espelho da alma, refletindo a liberdade

de ser quem se é, sem a necessidade de aprovação externa.

A influência de sua formação em Biologia talvez sussurre em seu olhar

atento ao desenvolvimento, à vida que precisa de espaço para vicejar

sem amarras. Sua arte não é apenas um reflexo de sua paixão pelas

meninas e suas brincadeiras, mas uma extensão de sua própria jornada

de autodescoberta, um crescimento contínuo que se manifesta em cada

pincelada carregada de intenção e afeto.

Instagram: @ijanesguimaraes.art