Sua obra é, em última instância, um ato de amor e resistência, um lembrete
eloquente de que proteger é permitir que cada indivíduo floresça em sua forma
mais autêntica, celebrada e, acima de tudo, vista. Ijanes Guimarães nos oferece
não apenas arte para contemplar, mas um farol para um futuro mais inclusivo e
respeitoso, onde cada criança e adolescente possa, simplesmente, ser.
Sua obra é, ao mesmo tempo, denúncia e consolo. É um grito que não fere
— acolhe. É arte que não apenas representa, mas restitui. Que não apenas
mostra, mas refaz.
Mas é na ousada ausência de traços faciais – olhos, nariz, boca – que a
arte de Ijanes revela sua mais potente e generosa provocação. Longe de
ser um vazio, essa escolha é um portal. Ao subtrair o particular, a artista
universaliza a experiência, permitindo que cada observador se projete
naquelas figuras livres, que se reconheça na essência que transcende a
forma visível. É um convite à introspecção, uma celebração da beleza que
reside não na conformidade, mas na singularidade intrínseca de cada ser.
Essa "face em branco" torna-se um espelho da alma, refletindo a liberdade
de ser quem se é, sem a necessidade de aprovação externa.
A influência de sua formação em Biologia talvez sussurre em seu olhar
atento ao desenvolvimento, à vida que precisa de espaço para vicejar
sem amarras. Sua arte não é apenas um reflexo de sua paixão pelas
meninas e suas brincadeiras, mas uma extensão de sua própria jornada
de autodescoberta, um crescimento contínuo que se manifesta em cada
pincelada carregada de intenção e afeto.
Instagram: @ijanesguimaraes.art