Há um instante em que o olhar repousa e o mundo se transforma em cor.
Para Denise Dumont, esse instante tem tonalidades que vão além de
qualquer definição fácil. Cores que ora lembram o céu líquido de Paris
após a chuva, ora evocam o mistério silencioso das catedrais góticas ao
entardecer. Não é apenas uma escolha cromática: é um estado de alma.
Sua obra criada para esta edição da ArtNow Report – Especial França não
busca descrever paisagens. Busca, antes, traduzir atmosferas. Como se
cada camada de tinta carregasse o peso leve de uma lembrança, a
fluidez de um sopro de vento atravessando a Pont Neuf, ou a sombra
delicada projetada por um vitral de Notre-Dame. Denise não pinta o que
se vê. Pinta o que permanece depois que os olhos se fecham.
Formada em Design de Interiores, ela compreende como poucos a íntima
relação entre espaço, luz e emoção. Suas telas não são mero adorno: são
arquiteturas sensoriais. Cada composição estabelece um diálogo direto
com o ambiente onde será vivida, como se a obra, mesmo antes de ser
fixada em uma parede, já intuísse a história que ali se desenrolará.
Para esta edição especial, a luz e a história da França sussurraram à
paleta de Denise, resultando em uma obra que se manifesta em
diferentes matizes e atmosferas cromáticas. Essa escolha de cores,
inspirada na atmosfera francesa, não é apenas estética; é uma tradução
poética do que a artista sentiu e vislumbrou naquele lugar. Esses tons
podem evocar o céu parisiense ao entardecer, a profundidade do Sena, a
melancolia elegante das fachadas antigas ou a vastidão silenciosa da
história francesa. E é precisamente assim que a arte de Denise Dumont se
manifesta nos espaços que habitamos: não como mero ornamento, mas
como essência que imprime caráter. Para a artista, “A arte não apenas
compõe a estética de um ambiente, mas imprime caráter, história e
emoção ao espaço. Ao estabelecer um diálogo com os elementos
arquitetônicos e com quem o habita, ela confere singularidade e reforça
a identidade do local, tornando-o mais expressivo e significativo."
O que Denise propõe ao espectador é um percurso íntimo. Um convite
para atravessar a obra como se atravessa uma rua antiga de Lyon, ou se
percorre com os dedos a aspereza de uma parede em Aix-en-Provence.
Sua pintura é uma experiência tátil, mesmo que apenas visual. Há nelas o
silêncio das manhãs francesas, o frescor de um jardim escondido, o
sussurro da brisa nas sacadas de pedra.