ArtNow Report - Ed. 08 - Port

Há um instante em que o olhar repousa e o mundo se transforma em cor.

Para Denise Dumont, esse instante tem tonalidades que vão além de

qualquer definição fácil. Cores que ora lembram o céu líquido de Paris

após a chuva, ora evocam o mistério silencioso das catedrais góticas ao

entardecer. Não é apenas uma escolha cromática: é um estado de alma.

Sua obra criada para esta edição da ArtNow Report – Especial França não

busca descrever paisagens. Busca, antes, traduzir atmosferas. Como se

cada camada de tinta carregasse o peso leve de uma lembrança, a

fluidez de um sopro de vento atravessando a Pont Neuf, ou a sombra

delicada projetada por um vitral de Notre-Dame. Denise não pinta o que

se vê. Pinta o que permanece depois que os olhos se fecham.

Formada em Design de Interiores, ela compreende como poucos a íntima

relação entre espaço, luz e emoção. Suas telas não são mero adorno: são

arquiteturas sensoriais. Cada composição estabelece um diálogo direto

com o ambiente onde será vivida, como se a obra, mesmo antes de ser

fixada em uma parede, já intuísse a história que ali se desenrolará.

Para esta edição especial, a luz e a história da França sussurraram à

paleta de Denise, resultando em uma obra que se manifesta em

diferentes matizes e atmosferas cromáticas. Essa escolha de cores,

inspirada na atmosfera francesa, não é apenas estética; é uma tradução

poética do que a artista sentiu e vislumbrou naquele lugar. Esses tons

podem evocar o céu parisiense ao entardecer, a profundidade do Sena, a

melancolia elegante das fachadas antigas ou a vastidão silenciosa da

história francesa. E é precisamente assim que a arte de Denise Dumont se

manifesta nos espaços que habitamos: não como mero ornamento, mas

como essência que imprime caráter. Para a artista, “A arte não apenas

compõe a estética de um ambiente, mas imprime caráter, história e

emoção ao espaço. Ao estabelecer um diálogo com os elementos

arquitetônicos e com quem o habita, ela confere singularidade e reforça

a identidade do local, tornando-o mais expressivo e significativo."

O que Denise propõe ao espectador é um percurso íntimo. Um convite

para atravessar a obra como se atravessa uma rua antiga de Lyon, ou se

percorre com os dedos a aspereza de uma parede em Aix-en-Provence.

Sua pintura é uma experiência tátil, mesmo que apenas visual. Há nelas o

silêncio das manhãs francesas, o frescor de um jardim escondido, o

sussurro da brisa nas sacadas de pedra.